Dia 365 de 365

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Há exatamente um ano, no horário que este post foi ao ar, eu estava no Aeroporto do Galeão, no Rio, escrevendo o post Dia 0 de 365 enquanto esperava meu voo para Amsterdã. O dia 365 chegou e não é o último. Eu estou na Malásia, de cabeça para baixo em comparação com o Rodrigo do dia 6 de março de 2015 e sem vontade de parar de viajar.

 

Brasil em 2015 - Malásia em 2016
Brasil em 2015 – Malásia em 2016 (Google Earth).

 

Eu lembro exatamente de onde estava e o que eu estava pensando enquanto traçava as linhas em uma mapa de possíveis destinos. A propósito, considerando-se que eu não tinha nada planejado de fato, eu até cheguei mais ou menos perto do roteiro. De fato vários fatores me fizeram alterar os destinos: Preços de passagens, pessoas que eu conheci, pessoas que eu queria encontrar, clima, preguiça e falta de planejamento, claro.

 

O caminho que eu pensei em fazer.
O caminho que eu pensei em fazer.
O caminho que eu realmente percorri,
O caminho que eu realmente percorri.

 

Um ano pode parecer muito tempo para se estar viajando. Algumas pessoas que encontrei pelo caminho de vez em quando me mandam mensagens perguntando “Você ainda está viajando? Nossa…”. A verdade é que mal deu pra perceber o tempo passando nos 28 países e não sei quantas cidades por onde passei. Só fica claro quanta coisa aconteceu quando eu relembro as pessoas que conheci, coisas que fiz pela primeira vez e da histórias que eu não poderia imaginar.

Pensei em escrever sobre como viajar afeta nossa visão do mundo e das pessoas, ou como uma pessoa que viaja sozinha por tanto tempo se sente. Mas a verdade é que cada um desses tópicos daria um post inteiro, e ainda não é o fim da viagem (que nem sei quando será). Vou guardar estes assuntos para o futuro.

Na verdade quero que este post seja tão sucinto (ou leve, se não for curto o suficiente) quanto foi o primeiro, então vou apenas contar, através de fotos, como foram estes 365 dias de viagem.

 

Tudo que eu precisei sempre esteve nesta mochila (ou pendurado nela). Obviamente tive que trocar várias roupas ao longo do caminho, mas essa camisa azul é guerreira e já viajou bastante. Inclusive eu nem sabia que ela já tinha sido tão azul assim.

 

Em Montenegro, preparado (ou quase) para um acampamento.
Em Montenegro, preparado (ou quase) para um acampamento.

 

A dificuldade é evitar carregar coisas demais, mas ter o suficiente para as estações. Eu sou tão bagunçado que consegui em um ano pegar dois invernos e dois verões.

 

Todo lugar é o igual: no inverno você quer verão.
Todo lugar é o igual: no inverno você quer verão.
E no verão você quer... Ah, não! mais verão.
E no verão você quer… Ah, não! mais verão.

 

Dormir algumas vezes é um desafio, mas com o nível certo de sono até pedra vira colchão.

 

Dormindo em um barco
Cochilando durante uma viagem de 7 horas nas Filipinas. Os bancos são de madeira e em alto mar você vira um peão de Barretos.

 

Eu tive a oportunidade de visitar lugares incríveis. Alguns deles eu nunca imaginaria ver com meus próprios olhos e que mesmo lá não pareciam reais.

 

Maya Bay, na Tailândia. Várias cenas do filme "A Praia" foram gravadas aqui.
Maya Bay, na Tailândia. Várias cenas do filme “A Praia” foram gravadas aqui.

 

E outros lugares que muita gente nem acredita que eu fui.

 

Na Coreia do Norte posando com as estátuas dos Kims.
Na Coreia do Norte posando com as estátuas dos Kims.

 

Claro que tirei muitas fotos. Nem sempre sendo responsável.

 

Em Split, um pouco antes de ser expulso da torre por ter saído pela janela.
Em Split, um pouco antes de ser expulso da torre por ter saído pela janela.

 

E claro que várias delas são selfies.

 

Selfie! Selfie! Selfie!

 

Mas o pôr do sol deve ser o campeão nos meus arquivos.

 

Fim do dia no Camboja.
Fim do dia no Camboja.

 

Um horário que várias vezes eu compartilhei com minha câmera e, para a tristeza dos eventuais companheiros de viagem, meu ukulele.

 

Pôr do sol na Tailândia.
Pôr do sol na Tailândia. “Vou tocar um Jack Johnson”.

 

E os companheiros não foram poucos. Desde amigos que me acompanharam por semanas até companhias interessantes de minutos que provavelmente nunca encontrarei outra vez.

 

Compartilhando um táxi da Albânia até a fronteira com a Macedônia.
Compartilhando um táxi da Albânia até a fronteira com a Macedônia.

 

Tentei fugir da viagem convencional trabalhando como voluntário em alguns países.

 

Limpando uma antiga estação de trem na República Checa.
Limpando uma antiga estação de trem na República Checa.

 

Hvar - Croácia.
Morei nesta ilha Croata por quase 3 meses voluntariando em um hostel.

 

Trabalhar como voluntário foi o que mais me aproximou dos locais nas cidades que estive. Não só aprendi e me diverti muito, também consegui me motorizar com a ajuda de amigos.

 

Muita pressão psicológica no trânsito com essa Harley Kitty.
Muita pressão psicológica no trânsito do Vietnã com essa Harley Kitty.

 

Quase todo lugar tem alguma peculiaridade com transporte.

 

Tuk-Tuks e suas variações estão por toda parte na ásia.
Tuk-Tuks e suas variações estão por toda parte na ásia.

 

três pessoas em uma moto
Uma moto para três nas Filipinas. Depois de ver algumas famílias com 6 pessoas em uma, 3 parece até normal.

 

Mas se você quiser carona, quase todo lugar funciona do mesmo jeito: Dedo pra cima e paciência.

 

Pedindo carona para um lugar que não consigo ler o nome.
Pedindo carona para um lugar que não consigo ler o nome na Macedônia.

 

Viajar de carona é uma ótima maneira de se conhecer pessoas, mas você realmente pode fazer amigos em qualquer lugar.

 

Conheci parte deste pessoal na rua e acabei indo jantar em uma associação taoísta em Macau. Até a cerveja era vegetariana.
Conheci parte deste pessoal caminhando na rua e acabei indo jantar em uma associação taoísta em Macau. Até a cerveja era vegetariana.

 

Claro que, se você bebe, uma cervejinha é o método internacionalmente reconhecido pela ONU de se fazer amigos.

 

Neste bar em Koh Phi Phi você pode tomar uma cerveja ou lutar com os seus amigos. Talvez os dois ao mesmo tempo.
Neste bar em Koh Phi Phi você pode tomar uma cerveja ou lutar com os seus amigos. Talvez os dois ao mesmo tempo.

 

E pode ter certeza que tem cerveja em todo lugar.

 

No alto do Parque Nacional Durmitor, em montenegro você não vai encontrar nada. Exceto um pastor de ovelhas vendendo cerveja no caminho para o topo da montanha.
No alto do Parque Nacional Durmitor, em Montenegro você não vai encontrar nada. Exceto um pastor de ovelhas vendendo cerveja no caminho para o topo da montanha.

 

Não só de álcool se fazem reuniões alegres. Uma boa refeição com amigos também é um ótimo momento, principalmente quando eles te avisam com antecedência se você vai morrer ou só chorar por causa da pimenta.

 

Chorei muito no Vietnã, mas não de tristeza, pela pimenta mesmo.
Chorei muito no Vietnã, mas não de tristeza, pela pimenta mesmo.

 

Claro que sempre existe a opção de uma comida leve.

 

Comendo escorpião na Tailândia. Típica atividade de turista.
Comendo escorpião na Tailândia. Típica atividade de turista.

 

Além da diversão, viajar é a melhor maneira de aprender história com quem realmente viveu a história.

 

Bata contando como escapou da Bósnia durante o cerco de Mostar.
Bata contando como escapou da Bósnia durante o cerco de Mostar.

 

Onde não existe ninguém para contar, ainda é possível ver e tocar.

 

Angkor Wat, no Camboja.
Angkor Wat, no Camboja.

 

A cultura você pode ver de perto. Algumas vezes perto demais.

 

Festival vegetariano que deveria se chamar Festival da bochecha furada, mas quem sou eu pra sugerir nomes para um cara com um fuzil na boca. Deixa pra lá.
Festival vegetariano em Phuket, Tailândia. Deveria se chamar Festival da bochecha furada, mas quem sou eu pra sugerir nomes para um cara com um fuzil na boca, né?! Deixa pra lá.

 

Desfile da independência em Macau.
Desfile da independência em Macau.

 

Comemoração do nascimento de Mohammed nas ilhas Gili, Filipinas.
Comemoração do nascimento de Mohammed nas ilhas Gili, Indonésia.

 

Você também se depara com pequenas coisas que se tornam mais interessantes do que atrações turísticas.

 

Futuro casal filipino sendo fotografado.
Futuro casal indonésio sendo fotografado.

 

E até o banheiro evidencia algumas diferenças.
Até o banheiro evidencia algumas diferenças culturais.

 

Mas mesmo em lados opostos do mundo algumas coisas são iguais.

 

Alunos sem professor em uma escola nas Filipinas.
Alunos sem professor em uma escola na Indonésia.

 

Os jovens asiáticos são muito desinibidos para pedir fotos com turistas, mas foi na China que eu me senti famoso: teve até fila para tirar selfie.

 

Os jovens asiáticos são muito desinibidos para pedir fotos com turistas, mas foi na China que eu me senti famoso: teve até fila para tirar foto.
Mais selfie! Mas essa é na Malásia.

 

Isso é só um pouco do que fiz em um ano. Pode parecer muito, mas não é nada. É só uma parte infimamente pequena do que o mundo tem a oferecer. Existem milhares de paisagens de tirar o fôlego, bilhões de pessoas com historias interessantes e uma infinidade de experiências esperando para serem vividas. Não dá pra parar agora. Quer vir junto?

 

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Vou ali no mundo e já volto.