Sarajevo ou Pristina? Escolha o meu destino.

postado em: Europa, Viagem | 3

No início do próximo mês vou deixar Hvar para continuar viagem. Antes de deixar a Europa devo visitar mais alguns países bálticos entre agosto e setembro até finalmente chegar na Turquia.

mapa

Como tempo não é um problema quero fazer um pequeno desvio para visitar lugares que passaram por conflitos recentes. Locais onde o nome ainda lembra cenas de batalhas e mortes, mas onde o atual cenário já é diferente. Porém em vez de eu escolher vou deixar para os leitores do blog a decisão de qual cidade visitar.

As opções são:

Sarajevo – Bósnia e Herzegovina

Sarajevo

A guerra pela independência da Bósnia deixou milhares de mortos na capital Sarajevo entre 1992 e 1995. Se você não é muito jovem pode lembrar que enquanto comemorava as defesas do Taffarel na copa de 1994 Sarajevo era bombardeada e atiradores de elite sérvios ajudavam a tirar a vida de mais de 10 mil pessoas.

Sarajevo também foi o local onde o arquiduque da Áustria Franz Ferdinand foi assassinado em 1914, sendo esse um dos principais eventos que desencadearam a primeira guerra mundial.

Pristina – Kosovo

Pristina

O Kosovo declarou-se estado independente em 1991 mas o único país a reconhecer a independência foi a Albânia. A tensão com o governo central da Iugoslávia foi piorando até 1998 quando uma guerra finalmente começou, matando 12 mil pessoas em um pouco mais de um ano de conflito.

Pristina é a capital de um país que a Sérvia (bem como Rússia e China) não reconhece como nação. De fato não se pode entrar do Kosovo para a Sérvia já que em tese você já estaria em território sérvio ilegalmente.

Por que ir lá?

Tanto a Bósnia quanto o Kosovo ainda estão se recuperando das feridas dos seus conflitos. Independe de qual desses lugares eu acabe conhecendo a ideia não é que seja uma visita para ver destruição, mas sim como as coisas estão depois de um período muito difícil que é bastante recente. Certamente não será o lugar mais bonito que eu vou conhecer, mas não estou viajando só pelas belezas e sim pelas experiências e nesse aspecto qualquer um desses lugares tem muito a acrescentar.

Então a votação ficará aberta aqui por 10 dias e no próximo mês vou visitar um dos lugares que vocês escolherem.

Escolha o destino

ATUALIZAÇÃO:

Votação Encerrada. Sarajevo ganhou de lavada.

Agora eu moro em uma ilha

postado em: Croácia | 5

Ainda na Croácia passei alguns dias em Split e já tinha desistido de ir para a ilha de Hvar por causa do mau tempo. Se não fosse a insistência do meu brother Pedro eu teria seguido para a Bósnia e nem sei onde estaria agora. No fim das contas vim para Hvar passar duas noites e acabei decidindo morar aqui por todo o verão.

Hvar
Hvar vista do forte

Quando cheguei em Hvar os dias de tempo ruim estavam passando, foi o primeiro fim de tarde de céu claro nos últimos 5 dias. A vista do primeiro pôr do sol aqui já me impressionou e eu comecei na hora a pensar que deveria passar mais tempo na ilha.

Barquinhos
Barquinhos

Hvar é uma das 718 ilhas do mar Adriático com 300 km2 de área, a principal cidade – também chamada Hvar – tem cerca de 4 mil habitantes, mas recebe aproximadamente 200 mil turistas no verão. Essa gente toda vem pra cá atraída por uma temporada com muitos dias de sol, mar com águas absurdamente transparentes e uma vida noturna muito animada.

Pokonji Dol
Pokonji Dol

Alugar um barco aqui é muito barato (um pouco mais de 30 reais por pessoa por um dia inteiro). Depois de passar um dia explorando as ilhas, mergulhando com uma visibilidade absurda e chegando na balada de barco no fim do dia, decidi que aqui era um lugar para passar mais tempo.

Alugar um barco é mais barato do que almoçar.
Alugar um barco é mais barato do que almoçar.

No dia seguinte usei mais uma vez o workaway.info para procurar um lugar que estivesse buscando voluntários aqui na ilha. Encontrei dois hostels interessados e depois de conversar com os proprietários decidi em qual eu queria ficar.

Meu trabalho é dar dicas para os hóspedes sobre as melhores praias, baladas e o que fazer no tempo livre. Faço isso das 10 às 13 e depois estou livre. Em troca o hostel aluga um flat que eu divido com outros dois voluntários e eu ganho um dinheiro para alimentação.

Barcões.
Barcões.

Em geral minha rotina é ir para o hostel de manhã e ficar no terraço conversando com o pessoal ou fazendo alguma coisa no computador até alguém aparecer. A maior parte do tempo é livre e depois disso eu vou pra casa almoçar e decidir o que fazer no resto do dia. Normalmente à tarde vou para a praia que fica a 5 minutos de casa – e por sorte é a mais bonita de Hvar – e volto para jantar e me preparar para a noite.

Não é uma piscina.
Não é uma piscina.

 

Achei que seria difícil aguentar festa todo dia, mas hoje já são 38 noites em sequência. A parte boa de trabalhar em um hostel é que muitas coisas são mais baratas ou de graça depois que as pessoas te conhecem. Posso beber de graça no principal bar da cidade e algumas vezes tiro fotos para eles, o que gera uma grana extra.

Kiva Bar - Toda noite estou aqui no meio
Kiva Bar – Toda noite aqui no meio

A melhor parte de tudo isso é a quantidade de pessoas que eu acabo conhecendo. No hostel temos geralmente 75 hóspedes que ficam em média 2 ou 3 noites, à noite conheço mais uma infinidade de pessoas, especialmente quando estou fotografando. A cada semana é tanta gente nova de países diferentes que é muito difícil lembrar quem é quem quando no outro dia alguém aparece dizendo “eeeei!”. Obviamente eu nunca mais vou ver a maioria delas, mas boa parte eu com certeza vou continuar conversando e algumas eu definitivamente vou reencontrar no futuro.

Galera que trabalha nos hostels da ilha.
Galera que trabalha nos hostels da ilha.

Não tenho dúvidas que esse vai ser o melhor verão da minha vida até agora. Não ganho dinheiro nenhum e me sinto muito feliz todos os dias. Hoje não tem absolutamente nada que eu gostaria de mudar na minha vida, tudo parece a coisa certa na hora certa.

 

Chegando na Croácia

postado em: Croácia | 0

Nem só de alegrias vive quem usa BlaBlaCar para se locomover. Depois de alguns dias de sol na Eslovênia encontrei um anúncio de uma carona de Bled até Zadar na Croácia por 13 euros, um preço excelente para quase 500 quilômetros de carro. Combinei tudo com o piloto e no dia seguinte estava eu de mochila e ukulele na mão esperando durante quase duas horas por um carro que nunca apareceu.

Danças típicas em Zagreb
Danças típicas em Zagreb.

Chegar em Zadar em um dia não era mais uma opção, então aproveitei para conhecer Zagreb, a capital da Croácia. Normalmente fora do roteiro de muitas pessoas que visitam o país, Zagreb tem uma atmosfera interessante e um clima muito legal à noite na Tkalciceva, uma rua cheia de bares e clubes no centro da cidade.

Um prédio amarelo grande, estava cansado e não me interessei em saber o que é :)
Um prédio amarelo grande, estava cansado e não me interessei em saber o que é 🙂

Além disso a cidade tem alguns prédios interessantes e vários museus como o Museu do CogumeloNão sei se tem tanta gente interessada em um museu de cogumelos, mas se existe o museu da merda acho muito justo que os cogumelos tenham o seu lugar.

Enfim, apesar de ter atrações decentes Zagreb não me impressionou e realmente eu diria que você não perde muita coisa deixando a cidade de lado em uma visita à Croácia.

Esse morango foi o que mais me chamou a atenção em Zagreb.
Esse morango foi o que mais me chamou a atenção em Zagreb.

Quando deixei a cidade passei o dia no Parque Nacional dos Lagos de Plitvice e no fim da tarde finalmente cheguei em Zadar. Não tinha ideia do que tinha para fazer lá – na verdade nem lembro o motivo de ter decidido ir para Zadar – mas andando pelas ruas estreitas da cidade antiga percebi na hora que foi uma boa escolha.

Cidade Sentinela, o centro da Cidade antiga de Zadar
Cidade Sentinela, o centro da Cidade antiga de Zadar.

Antigo é muito relativo, nos últimos meses estive em várias cidades com séculos de história e vi construções finalizadas antes de o Brasil ser descoberto pelos europeus. Zadar pode ser considerada cidade desde o século IX A.C., mas existem registros de que humanos viveram na região desde o fim da idade da pedra. Boa parte das estruturas do período da ocupação romana ainda estão de pé (ou quase) e podem ser vistas em diferentes áreas da cidade ao ar livre, protegidas por vidro ou como parte de outras construções.

Igreja de Santo Donato - Construída no século IX.
Igreja de Santo Donato – Construída no século IX.

Além da arquitetura o Mar Adriático é outro responsável pela beleza da cidade. As águas transparentes que circundam Zadar nem sempre tem uma temperatura perfeita para nadar, mas sentar em uma das praias de pedra pra ver o tempo passar costuma ser o suficiente para convencer os turistas a estender a estadia.

Preocupadíssimo com a Dilma.
Preocupadíssimo com a Dilma.
Fingindo que estou apreciando a vista enquanto espero os pés acostumarem com a água gelada.
Fingindo que estou apreciando a vista enquanto espero os pés acostumarem com a água gelada.

Ao fim da tarde muitas pessoas se reúnem em torno dos painéis solares que à noite emitem luzes de várias cores em saudação ao sol. Não sei o motivo de se chamar saudação ao sol, porque só começa à noite, então o coitado nunca vê o show – não sei o sol, mas eu ficaria muito chateado se fizessem uma parada em minha homenagem e não me convidassem.

Tem umas luzes aí no chão, mas sinceramente fiquei com preguiça de tirar uma foto melhor. Confia em mim e vai lá ver :)
Tem um show de luzes bem legal aí no chão, mas sinceramente fiquei com preguiça de tirar uma foto melhor. Confia em mim e vai lá ver 🙂

Ao lado estruturas tubulares de concreto ligadas ao mar formam um órgão natural que constantemente emite uma melodia produzida pelas ondas (ouça abaixo).

Cada um destes quadrados brancos alinhados à esquerda emitem uma nota diferente de acordo com as ondas.
Cada um destes quadrados brancos alinhados à esquerda emitem uma nota diferente de acordo com as ondas.

 

Inicialmente eu iria ficar lá por duas noites, acabei ficando quatro. Uma parte porque realmente é legal e outra porque eu estou meio preguiçoso ultimamente. Finalmente, depois de dias de praia, sol, bolhas de sabão, aulas de ukulele, lições de Krav Magá, bêbados croatas querendo falar de futebol e velhas cantando em italiano (pois é, não dá pra escrever sobre tudo), deixei Zadar para Split em um dia de chuva que vai ficar para o próximo post porque meu barquinho vai sair já já para Hvar. Doviđenja!

Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

postado em: Croácia | 3

Um dos principais destinos na Croácia é o Parque Nacional dos Lagos de Plitvice. Inaugurado em 1949 e declarado patrimônio da humanidade em 1979 o parque ocupa mais de 20 mil hectares na Croácia Central, próximo à fronteira com a Bósnia e Herzegovina.

Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

Por ser tão grande é impossível ver tudo em um dia. Existem diversas rotas com diferentes níveis de dificuldade e tempo necessário para completá-las. Apesar das várias opções escolher uma rota não deve ser motivo pra preocupação, praticamente todo o parque tem vistas impressionantes e mesmo que você vá várias vezes pela mesma rota os lagos estão sempre mudando pela atividade dos organismos e minerais. Você nunca vai ver as mesmas cores (que são incríveis) e até as cascatas vão mudando com o tempo.

Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

Chegar ao parque é relativamente fácil. De Zagreb e Zadar existem várias opções de tours diários por aproximadamente 200 kunas (ida e volta). A viagem é de um pouco mais de duas horas e se você está indo de Zagreb para Zadar ou Split (ou o contrário) pode pegar o ônibus nas rodoviárias para o parque e deixar suas bagagens lá. Eles tem uma sala para guardar as malas de graça, porém que qualquer um pega a chave e entra lá, então não é seguro. Você pode pedir uma chave para os lockers que também são de graça e guardar suas coisas de valor lá, essa chave fica só com você. Confira os horários de ônibus (Para o parque a estação é “Plitvice Lakes”).

Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

A entrada do parque para adultos em maio foi 110 kunas, 80 para estudantes. O ingresso para dois dias é 180 kunas. De novembro a março os preços caem pela metade já que o barco e o trem dentro do parque (gratuitos) não funcionam. De julho a agosto o preço para adultos passa para 180 kunas e a quantidade de pessoas nos lagos aumenta na mesma proporção. Mais informações sobre preços.

Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

Apesar de ser bastante impressionante para a maioria das pessoas um dia é suficiente. Se você quiser passar longos períodos fotografando ou estiver interessado nas trilhas mais longas existem alguns hotéis próximos, mas esses cobram o preço pela localização privilegiada.

Dormindo no chão da montanha

postado em: Eslovênia | 7

Na última segunda-feira fiz checkout no hostel que eu estava em Bled na Eslovênia e sentei na cozinha tentando decidir pra onde ir depois. Minha ideia era Zagreb, capital da Croácia, mas talvez fosse parar por uma noite em Ljubljana ainda na Eslovênia. No fim das contas não foi nem um nem outro.

Gerlitzen
Gerlitzen alpe

Enquanto eu procurava por horários de trens e ônibus recebi uma mensagem no Facebook da Kristiana, uma americana que conheci em Budapeste. Ela estava indo para o sul da Áustria subir uma montanha e perguntou se eu gostaria de ir junto. Uma das coisas que eu queria fazer aqui na Eslovênia era uma boa trilha, como estava a cerca de uma hora de trem da Áustria achei que seria uma boa ideia e marquei de encontrar ela em Villach.

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Rotas na trilha para o topo do Gerlitzen

Eu não tinha a menor ideia de qual montanha era, quanto tempo levaria ou sequer em qual cidade a trilha começava. Mas a Kristiana há pouco tempo fez uma trilha de 500 Km com a irmã, então eu imaginei que não deveria me preocupar com o fato de não termos uma barraca ou sequer um saco de dormir pra passar a noite. Pelo menos foi o que eu pensei até ela me mandar outra mensagem dizendo que pegou o trem errado e foi parar em Treviso na Itália em vez de Villach na Áustria. Minha guia errou de país, imagina como ela iria nos guiar pelas rotas na trilha.

Não sei como ela fez isso por 500 quilômetros e não sabe pegar um trem.
Não sei como ela fez isso por 500 quilômetros e não sabe pegar um trem.

Apesar dos contratempos cheguei em Villach um pouco depois das 17 horas e fiquei esperando ela na entrada da estação entretido por um cara que me disse que era artista e que a Áustria era um país para onde os velhos viriam para morrer. Depois quase uma hora ouvindo ele falar que adoraria tocar no Brasil, vendo vídeos dele pintando e teorias de mente superior e a relação com templários (!!!) achei que era hora de encontrar internet para descobrir o que estava acontecendo com a Kristiana. Achei uma rede aberta perto da estação e li uma mensagem dela dizendo que ela se enganou no horário e iria sair 18:40 e não 16:40 (e meu nível de confiança nela só aumentando).

Rio Drava in Villach
Rio Drava in Villach

Aproveitei o tempo pra dar uma volta pela cidade e comprar comida. Um pouco depois encontrei ela na estação e finalmente pegamos o trem para Annenheim onde começamos a trilha. Já eram quase 20 horas quando começamos a subir pelo meio da floresta em uma rota muito mais inclinada do que eu esperava que fosse. Caminhamos por cerca de uma hora e procuramos um chão confortável pra dormir a cerca de 600 metros de altura.

A trilha na floresta é praticamente uma escada natural.
A trilha na floresta é praticamente uma escada natural.

Como a floresta é de pinheiros o chão é coberto por uma camada que é quase um colchão natural (não tanto, mas é bom pensar assim quando você vai dormir no chão). Peguei algumas árvores caídas para cercar a área que ficamos e penduramos o que tínhamos de comida em uma árvore um pouco afastada para não sermos visitados por nenhum urso durante a noite. Com todas as roupas que eu tinha, incluindo calça térmica, segunda pele e fleece a noite foi quase agradável.

Hotel Chão - Café da manhã não está incluído.
Hotel Chão – Café da manhã não está incluído.

A sensação de estar dormindo no chão em uma floresta nos alpes austríacos é indescritível. Nenhum vento, corujas piando e o céu estrelado entre as árvores. De manhã a maior sinfonia de pássaros que eu já ouvi enquanto um bando de esquilos pulava de galho em galho. Podia passar o dia ali, mas era hora de continuar já que o topo ficava a quase 2000 metros.

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Assinando o livro de visitas da trilha.

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Cerca de duas horas depois começamos a passar por lugares com uma vista que já justificava todo o esforço. De tempos em tempos cruzávamos por alguma estrada que liga a cidade aos resorts que recebem esquiadores durante o inverno. Nessa época tudo parece deserto, exceto por uma ou outra pessoa fazendo manutenção.

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Pão de ontem com salsicha, Nº 1 de 58 o que comer em Gerlitzen
Com essa vista.

Parecia improvável que fosse melhor, mas depois de 6 horas de caminhada chegamos ao topo e a vista é não só indescritível como impossível de transmitir em uma foto. O problema com trilhas é que na maior parte das vezes, por um motivo ou outro, você não pode ficar tanto tempo no topo. Nesse caso as condições climáticas eram muito boas, mas ainda precisávamos voltar para Annenheim, pegar um trem para Villach e de lá eu pegaria outro trem para Eslováquia e ainda um ônibus para depois caminhar até o hostel onde estavam todas as minhas coisas, mas principalmente um chuveiro e uma cama de verdade.

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No topo do Gerlitzen.

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Pra baixo todo santo ajuda, menos os joelhos. O santo não está nem aí para os seus joelhos. De qualquer maneira, com a ajuda dos nossos bastões de caminhada adaptados descemos em um pouco menos de 3 horas e pegamos um trem logo depois para Villach. Chegando lá descobri que não haviam trens para Eslováquia até a manhã do dia seguinte. Kristiana não sabia nem pra onde iria, mas também não tinha nenhuma opção. Procuramos por um hostel mas todos estavam lotados e o hotel mais barato era mais de 100 dólares. A solução foi dormir na estação mesmo. Depois de dormir no chão da floresta e caminhar 9 horas em um terreno irregular nada melhor para as suas costas do que passar a noite em um banco de madeira.

Na manhã seguinte cheguei no hostel e mesmo sem ter uma cama pronta tomei o melhor banho do mundo e sentei para esperar liberarem o quarto. O problema é que apareceu um canadense tocando violão, eu peguei o ukulele para acompanhar, logo chegou outra canadense com uma voz incrível e um violão em um formato muito estranho. Pra completar um cara das Ilhas Maurício com mais um ukulele compôs o time e fizemos barulho até quando foi possível.

Depois disso tudo eu finalmente fui descansar e pensando nos últimos dias lembrei que a Eslovênia era um lugar que eu não tinha a menor pretensão de visitar. Não dá pra não pensar em quantas coisas não acontecem porque a gente deixa de ir para algum lugar ou agir em algum momento, mas ao mesmo tempo não posso saber o que teria acontecido se eu tivesse ido direto para a Croácia. Só podemos escolher as coisas uma vez e talvez o mais importante para ser feliz seja valorizar tudo de bom que vem das decisões que tomamos.

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Pra você que chegou até o final: Um telescópio de madeira.



Morando em uma estação de trem

postado em: República Checa | 5

Antes de chegar em Praga acessei mais uma vez o Workaway.info para ver quais eram as oportunidades de trabalho voluntário disponíveis na região. Como na maioria dos lugares boa parte dos anúncios eram de pessoas precisando de ajuda em pequenas fazendas, mas no fim da primeira página encontrei uma publicação diferente: “Ajude a reformar uma antiga estação de trem perto de Praga”. Alguns cliques e e-mails depois estava certo que eu passaria alguns dias morando em uma estação.

Estação de Zbiroh
Estação de Zbiroh

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