Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

postado em: Croácia | 3

Um dos principais destinos na Croácia é o Parque Nacional dos Lagos de Plitvice. Inaugurado em 1949 e declarado patrimônio da humanidade em 1979 o parque ocupa mais de 20 mil hectares na Croácia Central, próximo à fronteira com a Bósnia e Herzegovina.

Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

Por ser tão grande é impossível ver tudo em um dia. Existem diversas rotas com diferentes níveis de dificuldade e tempo necessário para completá-las. Apesar das várias opções escolher uma rota não deve ser motivo pra preocupação, praticamente todo o parque tem vistas impressionantes e mesmo que você vá várias vezes pela mesma rota os lagos estão sempre mudando pela atividade dos organismos e minerais. Você nunca vai ver as mesmas cores (que são incríveis) e até as cascatas vão mudando com o tempo.

Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

Chegar ao parque é relativamente fácil. De Zagreb e Zadar existem várias opções de tours diários por aproximadamente 200 kunas (ida e volta). A viagem é de um pouco mais de duas horas e se você está indo de Zagreb para Zadar ou Split (ou o contrário) pode pegar o ônibus nas rodoviárias para o parque e deixar suas bagagens lá. Eles tem uma sala para guardar as malas de graça, porém que qualquer um pega a chave e entra lá, então não é seguro. Você pode pedir uma chave para os lockers que também são de graça e guardar suas coisas de valor lá, essa chave fica só com você. Confira os horários de ônibus (Para o parque a estação é “Plitvice Lakes”).

Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

A entrada do parque para adultos em maio foi 110 kunas, 80 para estudantes. O ingresso para dois dias é 180 kunas. De novembro a março os preços caem pela metade já que o barco e o trem dentro do parque (gratuitos) não funcionam. De julho a agosto o preço para adultos passa para 180 kunas e a quantidade de pessoas nos lagos aumenta na mesma proporção. Mais informações sobre preços.

Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

Apesar de ser bastante impressionante para a maioria das pessoas um dia é suficiente. Se você quiser passar longos períodos fotografando ou estiver interessado nas trilhas mais longas existem alguns hotéis próximos, mas esses cobram o preço pela localização privilegiada.

Dormindo no chão da montanha

postado em: Eslovênia | 7

Na última segunda-feira fiz checkout no hostel que eu estava em Bled na Eslovênia e sentei na cozinha tentando decidir pra onde ir depois. Minha ideia era Zagreb, capital da Croácia, mas talvez fosse parar por uma noite em Ljubljana ainda na Eslovênia. No fim das contas não foi nem um nem outro.

Gerlitzen
Gerlitzen alpe

Enquanto eu procurava por horários de trens e ônibus recebi uma mensagem no Facebook da Kristiana, uma americana que conheci em Budapeste. Ela estava indo para o sul da Áustria subir uma montanha e perguntou se eu gostaria de ir junto. Uma das coisas que eu queria fazer aqui na Eslovênia era uma boa trilha, como estava a cerca de uma hora de trem da Áustria achei que seria uma boa ideia e marquei de encontrar ela em Villach.

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Rotas na trilha para o topo do Gerlitzen

Eu não tinha a menor ideia de qual montanha era, quanto tempo levaria ou sequer em qual cidade a trilha começava. Mas a Kristiana há pouco tempo fez uma trilha de 500 Km com a irmã, então eu imaginei que não deveria me preocupar com o fato de não termos uma barraca ou sequer um saco de dormir pra passar a noite. Pelo menos foi o que eu pensei até ela me mandar outra mensagem dizendo que pegou o trem errado e foi parar em Treviso na Itália em vez de Villach na Áustria. Minha guia errou de país, imagina como ela iria nos guiar pelas rotas na trilha.

Não sei como ela fez isso por 500 quilômetros e não sabe pegar um trem.
Não sei como ela fez isso por 500 quilômetros e não sabe pegar um trem.

Apesar dos contratempos cheguei em Villach um pouco depois das 17 horas e fiquei esperando ela na entrada da estação entretido por um cara que me disse que era artista e que a Áustria era um país para onde os velhos viriam para morrer. Depois quase uma hora ouvindo ele falar que adoraria tocar no Brasil, vendo vídeos dele pintando e teorias de mente superior e a relação com templários (!!!) achei que era hora de encontrar internet para descobrir o que estava acontecendo com a Kristiana. Achei uma rede aberta perto da estação e li uma mensagem dela dizendo que ela se enganou no horário e iria sair 18:40 e não 16:40 (e meu nível de confiança nela só aumentando).

Rio Drava in Villach
Rio Drava in Villach

Aproveitei o tempo pra dar uma volta pela cidade e comprar comida. Um pouco depois encontrei ela na estação e finalmente pegamos o trem para Annenheim onde começamos a trilha. Já eram quase 20 horas quando começamos a subir pelo meio da floresta em uma rota muito mais inclinada do que eu esperava que fosse. Caminhamos por cerca de uma hora e procuramos um chão confortável pra dormir a cerca de 600 metros de altura.

A trilha na floresta é praticamente uma escada natural.
A trilha na floresta é praticamente uma escada natural.

Como a floresta é de pinheiros o chão é coberto por uma camada que é quase um colchão natural (não tanto, mas é bom pensar assim quando você vai dormir no chão). Peguei algumas árvores caídas para cercar a área que ficamos e penduramos o que tínhamos de comida em uma árvore um pouco afastada para não sermos visitados por nenhum urso durante a noite. Com todas as roupas que eu tinha, incluindo calça térmica, segunda pele e fleece a noite foi quase agradável.

Hotel Chão - Café da manhã não está incluído.
Hotel Chão – Café da manhã não está incluído.

A sensação de estar dormindo no chão em uma floresta nos alpes austríacos é indescritível. Nenhum vento, corujas piando e o céu estrelado entre as árvores. De manhã a maior sinfonia de pássaros que eu já ouvi enquanto um bando de esquilos pulava de galho em galho. Podia passar o dia ali, mas era hora de continuar já que o topo ficava a quase 2000 metros.

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Assinando o livro de visitas da trilha.

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Cerca de duas horas depois começamos a passar por lugares com uma vista que já justificava todo o esforço. De tempos em tempos cruzávamos por alguma estrada que liga a cidade aos resorts que recebem esquiadores durante o inverno. Nessa época tudo parece deserto, exceto por uma ou outra pessoa fazendo manutenção.

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Pão de ontem com salsicha, Nº 1 de 58 o que comer em Gerlitzen
Com essa vista.

Parecia improvável que fosse melhor, mas depois de 6 horas de caminhada chegamos ao topo e a vista é não só indescritível como impossível de transmitir em uma foto. O problema com trilhas é que na maior parte das vezes, por um motivo ou outro, você não pode ficar tanto tempo no topo. Nesse caso as condições climáticas eram muito boas, mas ainda precisávamos voltar para Annenheim, pegar um trem para Villach e de lá eu pegaria outro trem para Eslováquia e ainda um ônibus para depois caminhar até o hostel onde estavam todas as minhas coisas, mas principalmente um chuveiro e uma cama de verdade.

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No topo do Gerlitzen.

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Pra baixo todo santo ajuda, menos os joelhos. O santo não está nem aí para os seus joelhos. De qualquer maneira, com a ajuda dos nossos bastões de caminhada adaptados descemos em um pouco menos de 3 horas e pegamos um trem logo depois para Villach. Chegando lá descobri que não haviam trens para Eslováquia até a manhã do dia seguinte. Kristiana não sabia nem pra onde iria, mas também não tinha nenhuma opção. Procuramos por um hostel mas todos estavam lotados e o hotel mais barato era mais de 100 dólares. A solução foi dormir na estação mesmo. Depois de dormir no chão da floresta e caminhar 9 horas em um terreno irregular nada melhor para as suas costas do que passar a noite em um banco de madeira.

Na manhã seguinte cheguei no hostel e mesmo sem ter uma cama pronta tomei o melhor banho do mundo e sentei para esperar liberarem o quarto. O problema é que apareceu um canadense tocando violão, eu peguei o ukulele para acompanhar, logo chegou outra canadense com uma voz incrível e um violão em um formato muito estranho. Pra completar um cara das Ilhas Maurício com mais um ukulele compôs o time e fizemos barulho até quando foi possível.

Depois disso tudo eu finalmente fui descansar e pensando nos últimos dias lembrei que a Eslovênia era um lugar que eu não tinha a menor pretensão de visitar. Não dá pra não pensar em quantas coisas não acontecem porque a gente deixa de ir para algum lugar ou agir em algum momento, mas ao mesmo tempo não posso saber o que teria acontecido se eu tivesse ido direto para a Croácia. Só podemos escolher as coisas uma vez e talvez o mais importante para ser feliz seja valorizar tudo de bom que vem das decisões que tomamos.

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Pra você que chegou até o final: Um telescópio de madeira.



Morando em uma estação de trem

postado em: República Checa | 5

Antes de chegar em Praga acessei mais uma vez o Workaway.info para ver quais eram as oportunidades de trabalho voluntário disponíveis na região. Como na maioria dos lugares boa parte dos anúncios eram de pessoas precisando de ajuda em pequenas fazendas, mas no fim da primeira página encontrei uma publicação diferente: “Ajude a reformar uma antiga estação de trem perto de Praga”. Alguns cliques e e-mails depois estava certo que eu passaria alguns dias morando em uma estação.

Estação de Zbiroh
Estação de Zbiroh

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Alguns dias em Praga

postado em: República Checa | 0

Cheguei em Praga de carona sem nada da moeda local, a coroa checa, e precisando pegar metrô para uma estação que eu não sabia nem pra que lado era. Parece ruim, mas tem uma coisa que eu sempre falo que é comum em qualquer lugar do mundo: A maioria das pessoas está disposta a ajudar.

Praga vista do Parque Letná

Além de mim veio no carro um checo chamado Filip. Ele não só comprou o ticket do metrô pra mim como me acompanhou até a estação e separou uma hora para me mostrar o monumento no Vitkov, que é um pequeno morro no meio da cidade, e de lá apontar onde ficam as principais atrações de Praga.

Resolvido o problema de dinheiro e localização peguei um bonde para o hostel que eu tinha reservado para aquela noite. Como eu nunca sei quantos dias vou ficar em cada lugar eu normalmente reservo uma noite no dia anterior da viagem e se gostar do hostel prolongo a estadia. O problema é que era final de semana de páscoa e estava tudo lotado, no final das contas fiquei em três hostels (é esse o plural de hostel?) diferentes. Apesar de todos serem bons ter que mudar de lugar todo dia é muito chato.

De qualquer maneira dá pra esquecer de qualquer problema em Praga (menos ressaca). Boas cervejas muito baratas (Fora dos locais mais turísticos dá pra tomar meio litro de Pilsen por R$ 2,70), arquitetura fantástica e muita história.

Mostecká
Mostecká

Em Praga praticamente todos os prédios e estruturas resistiram às invasões e batalhas. Na segunda guerra a cidade sofreu apenas leves danos se comparada com outras capitais da Europa. Por isso até mesmo o bar que você vai tomar uma cerveja possivelmente teve as paredes erguidas antes mesmo de o mundo saber que nosso continente existia e quando você anda pelas ruas o visual impressiona.

Teatro Nacional
Teatro Nacional

Apesar de a cidade ter ficado sob o controle nazista por anos o bairro judeu com suas sinagogas foi conservado. Isso porque o plano de Hitler era fazer deste bairro um museu de uma raça extinta. Esse plano macabro felizmente nunca virou realidade e permitiu, entre outras coisas, a conservação de uma sinagoga concluída em 1270.

Relógio Astronômico
Orloj – O famoso relógio astronômico de Praga

O relógio astronômico é outra das famosas atrações de Praga. A parte mais antiga dele foi construída em 1410 e outros itens foram adicionados por volta de 1490. Além das horas ele mostra a visão do céu, sempre atualizando automaticamente a posição do sol, fase e posição da lua, horários do nascer e pôr do sol e os equinócios.

A lenda diz que o relógio fez tanto sucesso que, para evitar que o relojoeiro construísse um igual ou melhor em outra cidade, cegaram o cidadão com um ferro quente e cortaram a sua língua. Algum tempo depois ele tentou fazer o relógio parar, com a ajuda de seus alunos subiu na torre e pulou no mecanismo. O relógio parou mas ele morreu na tentativa.

Staroměstské náměstí - A praça da cidade velha
Staroměstské náměstí – A praça da cidade velha

É uma história bizarra e pode parecer absurdo acreditar nela, mas considerando que ao lado dessa torre 7 membros do conselho municipal foram defenestrados (atirados pela janela) pelo povo e que na calçada ao lado 27 protestantes tiveram as cabeças decepadas e expostas em estacas é compreensível tomar a lenda por fato.

Katedrála svatého Víta - Catedral de São Vito
Katedrála svatého Víta – Catedral de São Vito

Outra construção impressionante é a Catedral de São Vito. Impressionante não só pelo tamanho ou pela beleza, mas também pelo tempo que levou para ser concluída. Ela foi iniciada em 1344 e só ficou pronta em 1929, um total de 585 anos – parece até obra no Brasil. A catedral fica dentro do Castelo de Praga e quem olha de fora muitas vezes pensa que ela é o próprio castelo, já que este passou por tantas reformas que é até difícil reconhecê-lo.

Castelo de Praga - Pražský hrad
Pražský hrad – Castelo de Praga (Não é o de baixo nem a torre de cima, mas essa legenda não ajuda)

Um post completo sobre Praga seria um livro. Estas são apenas algumas das várias atrações de uma das cidades mais bonitas em que estive até agora. Para complementar o post seguem algumas fotos que tirei nos cinco dias (nem lembro se foram cinco. A cerveja é boa e barata, lembra?) que fiquei lá.

O Chicote de Páscoa

postado em: Europa, República Checa | 3

Depois de Dresden eu deixei a Alemanha em direção a República Checa. Mais uma vez usei o BlaBlaCar pra encontrar uma carona e acabei indo com dois checos até Praga.

No caminho conversamos bastante sobre o passado da República Checa, viagens e, como próximo fim de semana seria de páscoa, chegamos nesse assunto. Eles me contaram quais eram as tradições no país para o dia (dois dias na verdade, segunda também é feriado). A principal delas é de pintar ovos, o que é bastante comum em vários países, mas a que eu achei estranha é que “chicotear” as mulheres faz parte do ritual de páscoa.

Pomlázka - By Josef Plch (Own work) [Public domain], via Wikimedia Commons
Pomlázka – By Josef Plch (Own work) [Public domain], via Wikimedia Commons
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Dresden

postado em: Alemanha | 1

Como praticamente tudo que venho fazendo até agora, ir para Dresden não estava nos meus planos. Só decidi que ia passar por lá porque é caminho para Praga e eu estou tentando evitar longas viagens de uma vez só. A cidade me surpreendeu e acabei ficando duas noites apesar do clima péssimo.

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Katholische Hofkirche

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